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Ibovespa descola do otimismo de NY com cenário político interno e fecha em baixa de 0,54%

Entre alta das siderúrgicas e queda das varejistas, o Ibovespa fechou em baixa de 0,54% nesta sexta-feira, 10, aos 117.669,90 pontos.


Das 82 empresas que compõe o índice, apenas 27 delas tiveram ganhos no dia de hoje, que teve um volume de R$ 23,7 bilhões em transações, abaixo da média do ano, de R$ 26,3 bilhões.


O principal índice da B3 foi influenciado negativamente pelo cenário interno de disputas políticas.


A dificuldade em aprovar o Orçamento de 2021, que está cinco meses atrasado, causa insegurança nos investidores sobre o futuro das contas públicas.


De um lado está o ministro Paulo Guedes dizendo que "a classe política precisa ter coragem para manter o teto de gastos” e que o Ministério da Economia está fazendo o que pode para adequar as emendas solicitadas pelos deputados dentro dos programas da pasta. Mas, segundo o ministro, da forma que está o Orçamento está não pode ser executado.


E do outro lado está o Centrão, que defende que as alterações no Projeto de Lei deveriam ter sido feitas há dois meses, entre a consolidação de dados e a aprovação do projeto. Agora, segundo os deputados, não é mais o momento para vetos.


O clima piorou depois que o ministro Luís Roberto Barroso determinou na quinta-feira, 8, a abertura de uma CPI da Covid-19.


O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados reagiram fortemente contra a ideia e contra o ministro. Em vídeo no Twitter, Bolsonaro disse que a decisão de Barroso foi uma “jogadinha casada” do ministro com opositores de esquerda, contra o governo federal. Bolsonaro também provocou aliados contra o STF.


No final das contas, parlamentares próximos ao presidente decidiram apresentar novos pedidos de impeachment contra os integrantes da Corte e avaliam até mesmo a criação de outra CPI para “investigar” a decisão de Barroso.


Apesar do clima de guerra em Brasília, o presidente do senado, Rodrigo Pacheco, garantiu que cumprirá a decisão do Supremo e irá instaurar a CPI, podendo, inclusive, convidar antigos ministros (Mandetta, Teich e Pazuello) para depor sobre os bastidores dos ministérios.


Com isso, aliados do presidente informaram que a decisão sobre o Orçamento deve ser adiada para que Bolsonaro possa “recalcular rota” sobre eventuais vetos ao projeto.


No meio da disputa, o avanço das pautas econômicas e das reformas, que os investidores tanto esperam, está comprometido.


Maiores altas do dia


No final das contas, as ações das siderúrgicas foram as que seguraram as pontas do Ibovespa hoje. Isso porque elas foram impulsionadas pela alta dos contratos futuros do minério de ferro e do aço negociados na China.


A animação se dá com a perspectiva de aumento na demanda dos Estados Unidos, graças ao plano de infraestrutura trilionário do governo Biden que está em tramitação por lá.

Se tudo der certo, são US$ 2 trilhões em investimentos em oito anos.


Nem mesmo o aumento dos rendimentos dos Treasuries atrapalharam as negociações em Wall Street hoje.


Isso porque, junto com o projeto de infraestrutura, o governo Biden deseja reformular a taxação de impostos sobre as empresas.


Embora exista alguma incerteza em torno do impacto que isso pode ter, a postura a favor de negociações por parte do presidente e os incentivos que as áreas de inovação e tecnologia vão receber no longo prazo com o valor arrecadado pelo governo animam os investidores.


De acordo com fontes da Casa Branca, o presidente americano desejava um aumento de 21% para 28% para grandes empresas, mas o Congresso americano quer o valor de 25%. Na segunda-feira, 13, Biden receberá um grupo bipartidário para negociar o plano.


Por aqui, as ações das Usiminas (USIM5) subiram 3,39%, a Gerdau ON (GGBR3) teve altas de 1,42%. Liderando os ganhos, estavam os papéis da CSN (CSNA3), com alta de 4,84%.

Veja maiores altas e maiores baixas do dia no Trademap Web.

Enquanto isso, o dólar à vista teve crescimento de 1,81%, sendo cotado a R$ 5,67, com o cenário de entraves políticos e insegurança do mercado doméstico.


Principais índices dos EUA renovam máximas histórias

Dow Jones e S&P 500 repercutem a confiança de Biden em obter o apoio dos republicanos para seu pacote de investimentos em infraestrutura.


O S&P 500 fechou com máxima histórica 4.128,77 pontos, após subir 0,77%

O Dow Jones acompanhou seu similar e cresceu 0,89%, aos 33.800,54 pontos.

Já o Nasdaq fechou em 13.900,19 pontos, alta de 0,51%.


As bolsas europeias fecharam mistas...

... mas perfizeram a melhor semana desde novembro de 2019.


O índice STOXX 600 Europe fechou quase na estabilidade, subindo 0,06%, aos 437,14 pontos.

O índice britânico FTSE 100 teve queda de 0,34%.

Já as bolsas de Frankfurt +0,26%, Paris +0,06% e Madri -0,83%.


Bolsas asiáticas seguem NY e fecham em alta

A repercussão ainda é do discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, que manteve postura de estímulos à economia americana por tempo indeterminado.


O índice japonês Nikkei registrou ganhos de 1,67% em Tóquio hoje, a 30.168,27 pontos.

O índice sul-coreano Kospi saltou 3,50% em Seul, a 3.099,69 pontos.

Enquanto o Hang Seng avançou 1,20% em Hong Kong, a 30.074,17 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto terminou os negócios em alta de 0,59%, a 3.585,05 pontos.